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Festa Literária
Internacional de Paraty
2012
de 4 de julho, quarta-feira
até domingo, 8 de julho

Bartolomeu Campos de Queirós

A equipe da Casa Azul e da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) manifesta seu profundo pesar com a notícia da morte de Bartolomeu Campos de Queirós. Escritor premiado e criador do Movimento por um Brasil Literário, Bartolomeu deu com seus livros e mobilização pessoal uma contribuição inestimável para a causa da alfabetização e da leitura no Brasil.

Nascido em 1944, viveu a infância em Papagaio (MG). Cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leitura no Brasil como o ProLer e o Biblioteca Nacional.

Participante da festa em edições anteriores, quando fez palestras na Flipinha e na Casa da Cultura, Bartolomeu já havia aceitado o convite para participar este ano de um debate na Tenda dos Autores. Sua morte é uma perda para a cultura brasileira e será sentida por todos comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Nesse momento de dor, a Flip se solidariza com os amigos e parentes de Bartolomeu.
 

O retorno de Ian McEwan

Quando veio pela primeira vez à Flip, em 2004, Ian McEwan estava longe de ser um autor desconhecido para o público brasileiro. Mas não seria exagero dizer que àquela altura sua reputação por aqui ainda era recente, e ancorada principalmente no impacto causado pela publicação, dois anos antes, de “Reparação” (Companhia das Letras, 2002). O livro é o maior sucesso da carreira de McEwan. Vendeu milhões de exemplares no mundo inteiro e deu um impulso considerável à sua reputação mesmo na Inglaterra, onde ele já recebera o Booker em 1998 por Amsterdam. No Brasil, a mudança foi radical. Talvez a surpresa tenha sido menor para os leitores mais atentos, que já conheciam o autor dos livros lançados na década de 1990 pela Rocco, mas em boa medida o romance foi um acontecimento inesperado.  De um entre outros bons nomes da literatura inglesa surgidos no último quarto do século XX, certamente bem menos conhecido aqui do que contemporâneos como Salman Rushdie ou Martin Amis, McEwan começaria a ser visto como um dos principais escritores de sua geração.

 

Foi assim que seus livros seguintes passaram a ser aguardados por aqui. Ainda que nenhum tenha provocado o mesmo abalo de “Reparação”, eles no entanto confirmaram essa “descoberta” um tanto tardia e aprofundaram a relação do leitor brasileiro com a obra do autor. Nos anos entre os lançamentos de “Sábado” (2005), “Na Praia” (2007) e “Solar” (2011), as livrarias foram recebendo novas edições de livros antigos de McEwan (“O inocente”, “O jardim de cimento” e “Amor sem fim”), lidos com muito mais atenção dos que os lançamentos da década anterior. A adaptação para o cinema de “Reparação”, indicada ao Oscar de 2008, ampliou a projeção da obra de McEwan  – e aqui no Brasil, deu mais força ao processo iniciado alguns anos antes.

 

Se não será necessariamente “maior” do que a criada em 2004, a expectativa com a vinda de McEwan para a Flip 2012 deve portanto ter um lastro ao mesmo tempo mais sólido e diverso. Sem deixar de reunir características importantes de sua obra, “Reparação” não era exatamente um McEwan “típico” – quem o conhecesse apenas pelo romance dificilmente entenderia por que no começo da carreira ele ganhou o apelido de Ian McCabro. Apesar do enredo trágico, o livro assume boa parte do tempo um tom compassivo muito distinto do olhar satírico de um livro como “Amsterdam”, ou de seu livro mais recente, o ótimo “Solar”.

 

O talento de McEwan para o humor, aliás, não está circunscrito à criação literária, como se pode ver por esse trecho da mesa de que ele participou em 2004, com Martin Amis, no qual responde a uma pergunta da plateia sobre a importância da pesquisa para sua escrita. Veja o vídeo abaixo.

 

 
 

Os encontros de negócios na Feira de Frankfurt

Há quem confunda a Feira de Frankfurt com uma espécie de Bienal do Livro internacional, diferente das feiras realizadas no Brasil apenas pela escala. E uma olhada rápida no evento realizado semana passada na Alemanha poderia confirmar o engano – lá estavam os estandes de editoras com as recepcionistas de sorriso a postos, as multidões de visitantes hiperativos e o persistente ruído de fundo que parece dizer “é proibido relaxar”.

Mas se há uma semelhança no tom, e até na intenção mais geral de fazer girar a roda da indústria, a diferença fundamental fica evidente na ausência dos inconfundíveis visitantes a passeio que lotam as feiras do livro no Rio, São Paulo ou qualquer cidade do mundo.

Em vez de crianças em excursão escolar e famílias dando uma voltinha letrada, em Frankfurt são os tipos de terno e pastinha de executivo que se multiplicam pelos pavilhões. A Feira é um evento de negócios para gente de negócios, no qual o público geral entra apenas no fim de semana, o que torna ainda mais espantosa a quantidade de gente que circula por lá. Editores, agentes literários, políticos e jornalistas do mundo inteiro – todos igualmente apressados -, além de escritores que fazem palestras assistidas por quem está com tempo livre entre um encontro e outro.

Nesse ambiente, em que para muitos as reuniões se sucedem sem intervalo, com negociações pela compra de títulos que custam de uns poucos milhares a uns poucos milhões, o representante de um festival literário não chega a ser o interlocutor mais aguardado por ninguém. O retorno que um convite à Flip pode oferecer – prestígio, contato com os leitores e interesse da imprensa – é indireto e muito menos certo do que o dinheiro desembolsado pelos editores na mesa de negociação. Dificilmente, além disso, haverá algum acordo a ser fechado ali. Apesar da influência que alguns agentes possam ter sobre seus clientes, e embora uma recomendação feita com entusiasmo sem dúvida possa ajudar muito, no fim das contas o “sim” continuará dependendo mesmo da vontade do escritor.

Tudo isso, no entanto, tem o lado bom de tornar as conversas menos tensas e mais amistosas. Além dos autores convidados, os agentes falam de outros nomes que estão negociando com editores brasileiros, ocasionalmente se queixam da dificuldade para vender um ou outro livro. Muitos querem vir eles mesmos à Flip – a negócios ou a passeio -, todos já ouviram falar da festa. Se estivéssemos organizando um festival de agentes literários, não seria difícil voltar de Frankfurt com uma lista de convidados confirmados para as próximas dez edições.
 

Obrigada por nos acompanhar em mais uma Flip!

Aqui no blog você encontra ilustrações, textos, fotos e trechos em vídeo das mesas. Neste blog você também você pode assistir ao Sobremesa, entrevistas exclusivas com autores da programação principal logo depois das mesas, produzidas pela Flip em parceria com o G1.

No site da Flip há matérias sobre todas mesas e toda a programação da Flip, Flipinha e FlipZona, para você se inteirar do que aconteceu neste últimos cinco dias.

Assista a trechos de todas as mesas no nosso canal do youtube.

No Blog da FlipZona você pode conferir a cobertura feita pelos jovens de Paraty sobre tudo que rolou nestes 5 dias de Festa Literária.

No nosso flickr há fotos de todos eventos, confira!

equipe Flip
 

Conversa entre amigos

A mesa 17 foi o final perfeito para uma Flip voltada ao romance e com forte presença de línguas latinas: reuniu os colombianos e amigos Laura Restrepo e Héctor Abad. Quem esperava mais do mesmo na última mesa da programação foi surpreendido. Os dois amigos ousaram e decidiram falar um do livro do outro, quebrando expectativas e tornando rico o embate de ideias.

A troca de impressões mostrou o respeito e carinho entre os autores, permitindo ao público descobrir muito mais sobre cada escritor. As críticas e elogios foram bem construídos, ditos com a precisão de quem admira e conhece bem a obra do outro. “É um livro extremamente doce, e extremamente duro,” disse Laura, referindo-se a A ausência que seremos, romance de Héctor.

O mediador Ángel Gurría-Quintana foi uma terceira voz bem-vinda, a guiar de vez em quando as falas e provocar os autores. Mas a verdade é que Laura e Héctor teriam se virado bem sozinhos: era uma conversa entre amigos.

Assista à entrevista gravada com Laura Restrepo, logo após a mesa:


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E por que não pedalar?

Por uma hora e quinze minutos, David Byrne paralisou a plateia. Não, o ex-guitarrista do Talking Heads não cantou nem tampouco dançou. Sexo, drogas e rock and roll ficaram de lado para uma apresentação de um grande bicicleteiro. Antes de entrar em cena, Byrne mandou exibir um vídeo no telão da tenda com personagens de filmes famosos andando de bicicleta. Militante, defendeu o uso massivo deste meio de transporte para salvar o planeta. Ao lado dele estava o arquiteto e urbanista Eduardo Vasconcellos, que falou sobre a realidade brasileira e o quanto ainda estamos distantes de que este sonho possa ser realizado por aqui. Enquanto não chegamos lá, podemos nos inspirar com livro do David Byrne, Diários de bicicleta.

Assista a um trecho da mesa:


Assista à entrevista do Sobremesa, com David Byrne, gravada instantes após a mesa:


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Vamos degustar Oswald de Andrade

A última mesa sobre a antropofagia oswaldiana, Pensamento Canibal, contou com trechos de frases do Manifesto Antropófago e dois grandes estudiosos discorrendo sobre o tema: Eduardo Sterzi e João Cezar de Castro Rocha. Antropofagia é um termo que foi muito discutido nesta Flip e mesmo assim, muita gente saiu curiosa, disposta a entender melhor o que significa. É preciso ler, devorar Oswald de Andrade por mais um tempo para chegar perto de uma resposta… mas a semente foi plantada e a descoberta promete ser saborosa.

Assista à entrevista com João Cesar de Castro Rocha, no Sobremesa, gravada logo depois da mesa:


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Showman na Flip

O efusivo James Ellroy entrou no palco de camisa larga, florida, cuja estampa combinava, de forma surpreendente, com as figuras do fundo do palco da Tenda dos Autores. E sua atitude descontraída, suas tiradas de bom humor, suas frases provocativas também o ajudaram a estabelecer uma imediata empatia com a plateia. Nesta noite de sábado, as luzes da Flip se acenderam para um showman que veio de Los Angeles a Paraty disposto a falar de tudo, com todas as palavras e palavrões que julgasse cabíveis: falou do seu método de trabalho, de seus amores, de sua fase de drogado, de sua cabal indiferença à tecnologia e, sobretudo, sempre com reverência, de Beethoven – para ele, a encarnação da divindade.

Assista a um trecho da mesa:

Na sobremesa, James Ellroy fala de sua impressão sobre o Brasil:


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Viagem à Bahia

João Ubaldo Ribeiro era uma das estrelas desta Flip. E não decepcionou. Conduziu uma conversa tão a vontade e com tanta alegria que só faltou uma rede, da qual o autor contaria seus casos para uma plateia íntima. Durante uma hora o público sentiu o cheiro do mar de Itaparica e se deixou levar pelo gingado baiano de um dos maiores romancistas brasileiros.

Assista a um trecho da conversa:


Depois desta uma mesa descontraída e cativante, João Ubaldo Riberio falou no “sobremesa”, sobre sua participação em eventos literários:


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Pedalar é preciso

David Byrne avista baía de Paraty - foto: Rodrigo Pereira/Paraty Explorer

David Byrne avista baía de Paraty - foto: Rodrigo Pereira/Paraty Explorer

David Byrne foi pedalar em Paraty de bom humor. Logo na saída da pousada para um passeio pela cidade com um grupo de ciclistas, foi seguido por fotógrafos e cinegrafistas que corriam pelas ruas de pedra para registrar o artista sobre a magrela. Byrne não parou, mas reduziu e deu risada da disposição de um câmera que se esforçou bastante para conseguir uma boa imagem.

As ruas do centro histórico de Paraty foram um desafio: pedras totalmente irregulares, pontos alagados e muita gente passeando. Ao invés de se irritar, se divertiu com o desequilíbrio dele e dos outros ciclistas.

Depois de uma parada de Byrne para fotografar os barcos tradicionais, a pedalada seguiu para o morro do forte, de onde o artista admirou a vista da baía. Pediu ao guia que o avisasse se passássemos por animais interessantes ou por orquídeas, que ele gostaria de registrar.

O passeio seguiu pela estrada de terra entre Paraty e Cunha rumo a um alambique tradicional de Paraty. Byrne ouviu atento à explicação de como se produz a cachaça, perguntou sobre a influência do tipo de madeira do barril para o gosto da bebida e ficou espantado ao saber que demora somente entre 3 ou 4 dias para produzi-la. Se interessou, mas não chegou a provar…

O passeio seguiu para o poço das andorinhas, passando por sítios, pastos, currais e cheiro de roça. Byrne tirou fotos, andou em volta d’água, mas não se aventurou a entrar. Fazia um frio atípico para a tarde paratiense.

Voltamos cheios de poeira, com corpo cansado, mas com a cabeça leve para acompanhar o último dia de Flip.
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