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Blog da Flip 10 anos

Benoit na #Flip2014 | Walter Craveiro

07-08-2014
Walter Craveiro, fotógrafo oficial da #Flip2014, por Alexandre Benoit

Walter Craveiro, fotógrafo oficial da #Flip2014, por Alexandre Benoit

 

Benoit na #Flip2014 | Daniel Alarcón

07-08-2014
Mesa “Romance em dois atos”, por Alexandre Benoit

Mesa “Romance em dois atos”, por Alexandre Benoit

 

Benoit na #Flip 2014 | Paulo Varella

07-08-2014
Mesa “Ouvir estrelas”, por Alexandre Benoit

Mesa “Ouvir estrelas”, por Alexandre Benoit

 

Benoit na #Flip2014 | Juan Villoro

07-08-2014
Mesa “A verdadeira história do Paraíso”, por Alexandre Benoit

Mesa “A verdadeira história do Paraíso”, por Alexandre Benoit

 

Encerramento | Um apelo a defender a floresta

03-08-2014

Após a mesa de encerramento da Flip, líder Yanomami Davi Kopenawa discursa a respeito das ameaças de morte que ele e seu povo vêm recebendo na Amazônia

davi

O apelo de um defensor da floresta ameaçado de morte encerrou a 12a. edição da Flip neste domingo. O líder Yanomami Davi Kopenawa, que havia pedido a palavra à organização da Flip nesta tarde, subiu ao palco da Tenda dos Autores logo após a mesa “Livro de Cabeceira”, roda de leitura que tradicionalmente fecha o evento, e discursou sobre a invasão das terras indígenas da Amazônia, demarcadas segundo a Constituição Federal, por fazendeiros e garimpeiros, com a anuência do poder público.

Kopenawa deixou claro que ameaças dessa ordem, na Amazônia, não raro são cumpridas. “Eu não quero repetir o que já aconteceu. Estou lembrando de meu amigo Chico Mendes. Meu amigo já morreu”, disse. “Os fazendeiros já mataram ele. Os garimpeiros, políticos, já mataram meu amigo, que lutava e defendia a floresta.”

O líder e pajé prosseguiu com seu discurso mencionando a discriminação usual contra os povos indígenas. “Eu sou Yanomami, então não sou bicho. Eu sou gente, sei falar, sei lutar, sei reclamar, sei defender o nosso país, sei proteger nossa montanha, nossa floresta, nossa saúde. Eu sou assim”, declarou.

“Aqui tem pessoas de todo o Brasil e do mundo inteiro. Nunca vi tantas pessoas reunidas e isso me emociona”, afirmou o pajé Yanomami. “Se vocês não ajudarem o povo indígena, o mundo não vai funcionar bem. E a floresta é o que nos protege, para não ficar quente demais, para que nós e nossos filhos possamos continuar vivendo”, concluiu.

(Diego Viana)

 

Mesa 20 | Citações de estima

03-08-2014

Leituras que compuseram a mesa “Livro de Cabeceira” envolveram desde homenagens a Paraty e a Millôr Fernandes até declarações com teor político

Autores leem trechos de seus autores preferidos na mesa que encerrou a 12a. Flip neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

Autores leem trechos de seus autores preferidos na mesa que encerrou a 12a. Flip neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

Na tradicional mesa que encerra a Flip, alguns autores que passaram pela Tenda dos Autores nos últimos dias leram trechos de seus autores preferidos. Andrew Solomon leu “At The Fishhouses”, poema de Elizabeth Bishop, que viveu muitos anos no Brasil e esteve em Paraty. Fernanda Torres escolheu uma crônica em que Millôr Fernandes homenageia Rubem Braga, seu amigo e vizinho.

Eduardo Viveiros de Castro leu um trecho de “Sermão do Espírito Santo”, do padre Antonio Vieira, em que ele descreve a dificuldade de catequizar os indígenas do Brasil. A inconstância do indígena, que “mesmo depois de crer, continua não crendo”, é uma constante do estereótipo brasileiro, disse o antropólogo. Etgar Keret, israelense, leu um trecho de Matadouro Número 5, de Kurt Vonnegut, para reafirmar seu desejo de ser contra a guerra mesmo quando tanto de seus compatriotas a apoiam efusivamente.

A jornalista argentina Graciela Mochkofsky leu um trecho de A Condição Humana, de André Malraux, em que um condenado à morte oferece cianureto a companheiros amedrontados. “O fato de que eu reconheci que não faria algo parecido me perseguiu a vida toda”, afirmou. O suíço Joël Dicker leu de John Steinbeck um trecho de De Ratos e de Homens e o mexicano Juan Villoro escolheu Lolita, de Vladimir Nabokov, um livro que tem diversas referências ao México.

Marcelo Rubens Paiva encerrou a série de leituras com O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, um livro que descreve a ambição de uma sociedade consumista e fundada sobre aparências que o escritor brasileiro reconhece muito, também, no Brasil.

(Diego Viana)

 

Mesa 19 | Os mil nomes da paixão

03-08-2014

O chileno Jorge Edwards e o português Almeida Faria falam de paixão e política em suas obras

O escritor chileno Jorge Edwards na mesa "Os sentidos da paixão" neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

O escritor chileno Jorge Edwards na mesa “Os sentidos da paixão” neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

Política, literária e erótica são diferentes dimensões da paixão que se entrecruzam constantemente na obra de grandes escritores. “São infinitas as possibilidades de manifestação das paixões”, resume o mediador da mesa Os sentidos da paixão, em que o chileno Jorge Edwards, diplomata e autor de A origem do mundo (Cosac Naify), e o português Almeida Faria, que publicou o cultuado A paixão (Cosac Naify) durante a ditadura de António de Oliveira Salazar, compartilharam suas literaturas e paixões.

O profundo desejo de escapar das entranhas da burocracia, quando era representante chileno na Unesco, foi o grande motivador de Edwards para escrever A Origem do Mundo: como os discursos protocolares começam com agradecimentos a autoridades, ele sentia que estava se tornando especialista no “estilo congratulatório”. Por isso, “quis fazer algo que fosse o exato oposto do meu trabalho”.

A relação com a política também está na origem de A Paixão, livro composto sob a longa ditadura salazarista, conta Faria. Estudante de direito, fingia anotar as aulas, mas na realidade criava os personagens de seu livro. O título joga com o fato de que a sexta-feira da Paixão também é conhecida como a sexta-feira das trevas em Portugal, o que lhe permitia “dizer minha raiva sem mencionar diretamente a política”.

Para escrever sobre o amor, Faria buscou soluções na Comédia de Dante, já que “é muito difícil falar dos prazeres do corpo sem cair na banalidade, com adjetivos kitsch, nem na pornografia”, como explicou. Dante consegue isso em dois versos do Canto V do “Inferno”, que foram lidos na mesa pelo autor português.

Edwards relatou a história de sua profunda amizade com o cronista brasileiro Rubem Braga, que foi representante comercial no Chile. A possibilidade de importar por vias diplomáticas um uísque de boa qualidade colocou o brasileiro em contato não apenas com Edwards, mas com toda a intelectualidade chilena, a começar pelo poeta Pablo Neruda. Daí por diante, as visitas para o Brasil se tornaram uma constante na vida de Edwards. “Vou escrever minhas memórias em breve e acho que nelas vai ter muita coisa brasileira”, adiantou.

(Diego Viana)

 

Mesa 18 | Para além do teatro

03-08-2014

Tom cômico marcou encontro de Fernanda Torres e Daniel Alarcón 

Fernanda Torres e Daniel Alarcón em mesa neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

Fernanda Torres e Daniel Alarcón em mesa neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

Atriz antes de mais nada, Fernanda Torres dominou o palco da mesa que dividiu com Daniel Alarcón. O eixo do debate era o segundo romance dele, À noite andamos em círculos (Objetiva), sobre um ator e dramaturgo que sai em turnê pelo Peru, e o primeiro romance dela, Fim (Companhia das Letras), sobre os últimos anos de vida de cinco amigos cariocas. O encontro extrapolou a literatura para tornar-se uma encenação em si. Provocativa e performática,  a atriz fez o público rir quase o tempo todo com auto-depreciações e elogios a Daniel.

“Há três dias eu estava fazendo strip-tease. O ator é um ser que não vale nada, mas um escritor vale muito, então eu espero não conspurcar a literatura”, disse, sempre oscilando entre o registro sério e a piada. “E ele [Daniel] resolveu escrever sobre um grupo de teatro revolucionário. Que coisa démodé”, ironizou, emendando críticas ao panorama atual do teatro brasileiro.

“Uma coisa que me levou à literatura foi uma crise do teatro como meio. A literatura está num momento quente, bem como a pintura. Mas o teatro e o cinema estão vivendo uma crise mundial em torno da questão do entretenimento”, sentenciou, dizendo que doses de existencialismo e hedonismo se conjugam em sua escrita. 

Daniel entrou na dança contando episódios sobre a redação de seu romance – “sete anos de tortura”, segundo ele -, com direito a várias versões, crises depressivas e angústias na madrugada. “Entreguei a primeira versão do livro a amigos e eles me disseram: esse romance é muito ruim. Depois entendi o quanto ele era chato. Faltava o motor narrativo.“

Ao final, a pedido da mãe Fernanda Montenegro, que estava na platéia, Torres contou da importância de Millôr para sua vida e formação. “Era o amigo mais inteligente dos meus pais”, afirmou, categórica, lembrando, entre outras coisas, de suas traduções de Shakespeare. 

(Gabriela Longman)

 

Mesa 17 | Ouvir estrelas

03-08-2014

Primeira mesa do domingo tratou da expansão do conhecimento por meio da ciência

Marcelo Gleiser em conversa sobre ciência na manhã deste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

Marcelo Gleiser em conversa sobre ciência na manhã deste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

O que sabemos do universo é ínfimo quando comparado ao que não sabemos. Ainda assim, a ciência trabalha para expandir pouco a pouco o conhecimento sobre o que nos cerca: matéria escura, energia cósmica, galáxias.

Os cientistas e professores Marcelo Gleiser e Paulo Varella entusiasmaram a Tenda dos Autores explicando um pouco do que se conhece sobre a anatomia do céu. “A Ciência é uma espécie de amplificador da realidade. Imagina o que a gente sabia da vida antes do microscópio e depois do microscópio. Antes do telescópio e depois do telescópio”, provocou Marcelo. “Ainda assim, nossa visão da realidade é sempre meio míope”, disse, evocando a Caverna de Platão.

Da plateia vieram perguntas sobre vida fora da terra, mecânica quântica e astrologia. “Eu particularmente não acredito na astrologia. Nós, librianos, somos muito céticos”, brincou Varella, que tem se dedicado a criar cursos para observação do céu a olho nu.

“Se prestarmos atenção na natureza podemos ouvir também as estrelas, as rochas, os minerais, as nuvens [...] Eu saio no meu quintal. O que eu vejo? Quem são os planetas nessa multidão?”, disse, defendendo que a iluminação urbana das grandes cidades seja sempre dirigida ao chão e não ao céu ou às arvores.

Pensando sobre a divulgação da astronomia, ele lamentou a quantidade de planetários – 38 no território brasileiro. “É o que existe, em média, em cada Estado americano.”

A discussão também tratou da acepção, já conhecida, de que olhar para o céu é sempre olhar para o passado, dada a distância enorme que a luz precisa viajar. “Quando você olha o sol está vendo o sol oito minutos atrás. Se o sol explodisse agora, a gente só ia saber daqui há oito minutos. Mas também é a última coisa que a gente ia saber na vida”, bem lembrou Marcelo.

(Gabriela Longman)

 

Benoit na #Flip2014 | Viveiros de Castro

03-08-2014
Mesa “Tristes Trópicos”, por Alexandre Benoit

Mesa “Tristes Trópicos”, por Alexandre Benoit

 

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  Associação Casa Azul