
Kindle 2
A New Yorker desta semana trouxe uma matéria a respeito da segunda geração do Kindle, o aparelho leitor de livros eletrônicos da Amazon cujas vendas, como afirma o fundador e C.E.O. da loja virtual, Jeff Bezos, “superaram as mais otimistas expectativas”.
Lançado em 2007, o foco do primeiro Kindle era os ebooks. Com o lançamento do Kindle 2, a Amazon, além de corrigir problemas de ordem técnica, aumentou o acesso de seus usuários a jornais, revistas e blogs.
Para os brasileiros interessados no aparelho, a Amazon não o envia ao Brasil. Só é possível comprá-lo se houver um endereço nos Estados Unidos relacionado à conta na Amazon e, em seguida, alguém no país que possa enviá-lo para o endereço brasileiro. Além disso, o download de livros pela rede wi-fi só é possível nos Estados Unidos. Fora do país, é preciso fazer a compra dos livros digitais e transferir o conteúdo para o Kindle por meio de um cabo USB.
Preocupado quanto a certa unanimidade midiática em torno do Kindle 2, construída às custas de muita camaradagem por parte de escritores (Neil Gaiman foi de cético a fã incondicional, conta a matéria) e de uma campanha publicitária nas páginas da Amazon que beira a lavagem cerebral, o autor da matéria, Nicholson Baker, fez uma longa experiência com o Kindle 2.
Entre as conclusões, Baker relatou a persistência de falhas técnicas do aparelho, como desaparecimento da imagem com a exposição do aparelho ao sol, e problemas graves relacionados à cor (não o bom e velho preto e branco das páginas dos livros, e sim um cinza esverdeado). De qualquer forma, tais aspectos – imagina-se – podem ser aperfeiçoados ao longo das gerações seguintes do Kindle. O grande problema está no fato do conteúdo dos livros ser alterado de forma radical na conversão para ebooks. Apesar de sempre sustentarem um preço melhor do que o dos livros físicos no próprio site da Amazon, os livros digitais perdem fotos, número das páginas, índice, e raramente têm suas notas de rodapé legíveis. Baker relata ainda casos extremos de caríssimos livros científicos cujos gráficos perdem sua função ao ser privados de cores e legendas classificatórias.
Há também a questão da incompatibilidade do software. O Topaz, software desenvolvido pela Amazon exclusivamente para o Kindle, não roda em nenhum outro leitor a não ser no Iphone e no Itouch, e ainda não há uma movimentação pública para que o software seja compatível com outros leitores eletrônicos. Por fim, os ebooks são intransferíveis – não é possível, como no caso dos livros, emprestá-los, doá-los ou mesmo vendê-los.
É claro que o objetivo de Baker com o teste do leitor de ebooks não é determinar se a informação digital irá ou não substituir jornais e livros no futuro. Todavia, a julgar pela decepcionante experiência com o Kindle 2, os apocalípticos terão de adiar suas profecias funestas quanto ao destino dos impressos – ao menos enquanto o leitor eletrônico líder de mercado for o da Amazon.
Etiquetas: Amazon, ebooks, Kindle, The New Yorker



julho 29, 2009 às 11:01 pm |
Não acredito que algum dia o livro seja substituído por algum aparelho eletrônico, apesar do avanço da tecnologia.
O contato com o livro se faz não só pela visão, mas também pelo olfato e pelo tato. Antes de ler um livro, gosto de acariciá-lo, sentir-lhe o cheiro e, só depois disso, passo a folheá-lo.
Enquanto leio um bom livro, crio com ele uma relação de amizade , de carinho, amigos inseparáveis. Laços afetivos nos envolvem.
Já me surpreendi em prantos, apertando o livro contra o peito,quando cheguei à última página. Era uma sensação doída de despedida dos personagens que me acompanharam durante a leitura.
Não consigo me imaginar chorando de emoção, abraçada a um frio Kindle 2.
Que ele , o livro,tenha uma longa vida!
setembro 6, 2009 às 3:40 am |
Sinceramente, acho que os jornais diários impressos estão com os dias contados por conta de vários fatores, sendo, na minha opinião, o mais forte deles: a necessidade de se buscar várias fontes – e em várias mídias, para se ter a concreticidade de uma só notícia.
… já os livros são outras “abóuboras”: acho impossível algo substitui-lo com a mesma eficiência.
Um jornal é pra ser comido num dia, um livro é pra duas semanas.