“Cova Rasa” é o título do artigo de James Wood sobre Paul Auster, publicado na última New Yorker na esteira do lançamento de Invisible, livro mais recente do escritor. Considerado por muitos de seus pares o melhor crítico literário de sua geração, Wood é reconhecido pela defesa do realismo literário em detrimento da literatura pós-moderna, e a resenha de Auster concentra grande parte dos argumentos frequentes de Wood em sua cruzada.
O crítico sugere uma fórmula aos “agradáveis, levemente condescendentes” livros do escritor e a toma emprestada para criar o começo de um romance a la Auster na abertura do artigo, dando indício aos leitores de que não será dócil o teor dos parágrafos seguintes.
Há uma longa passagem em que comenta a presença de clichês nas obras de Auster. Ao contrário de Flaubert, em cujos romances as expressões gastas são empregadas com ironia, ou mesmo de Beckett e Nabokov, conscientes do “tomar emprestado” da cultura de massa, Auster “não faz nada com o clichê, a não ser usá-lo”, afirma Wood.
Seus enredos, de forma geral, são caracterizados por Wood como de um realismo pouco convincente e até dotados de certa atmosfera de filme B. As reviravoltas da trama – que, a propósito, Hollywood foi pródiga em consagrar-, fariam de seus romances máximas do surrealismo ou, tomando uma perspectiva otimista, suas histórias traduziriam apenas um realismo diluído, pasteurizado.
E quem esperava do artigo ao menos um final redentor não soube dimensionar o cinismo de seu início. Aqui, a superficialidade e a futilidade sugeridas pelo título soam como galanteios: Wood traz à tona o conceito da linguagem contemporânea ligada ao vazio, à ausência, apenas para solicitar: mais silêncio, Auster.
Para quem deseja assistir a todos os rounds, o artigo pode ser lido na íntegra na versão digital da New Yorker, que trouxe ainda conto inédito de Don DeLillo.
O crítico sugere uma fórmula aos “agradáveis, levemente condescendentes” livros do escritor e a toma emprestada para criar o começo de um romance a la Auster na abertura do artigo, dando indício aos leitores de que não será dócil o teor dos parágrafos seguintes.
Há uma longa passagem em que comenta a presença de clichês nas obras de Auster. Ao contrário de Flaubert, em cujos romances as expressões gastas são empregadas com ironia, ou mesmo de Beckett e Nabokov, conscientes do “tomar emprestado” da cultura de massa, Auster “não faz nada com o clichê, a não ser usá-lo”, afirma Wood.
Seus enredos, de forma geral, são caracterizados por Wood como de um realismo pouco convincente e até dotados de certa atmosfera de filme B. As reviravoltas da trama – que, a propósito, Hollywood foi pródiga em consagrar-, fariam de seus romances máximas do surrealismo ou, tomando uma perspectiva otimista, suas histórias traduziriam apenas um realismo diluído, pasteurizado.
E quem esperava do artigo ao menos um final redentor não soube dimensionar o cinismo de seu início. Aqui, a superficialidade e a futilidade sugeridas pelo título soam como galanteios: Wood traz à tona o conceito da linguagem contemporânea ligada ao vazio, à ausência, apenas para solicitar: mais silêncio, Auster.
Para quem deseja assistir a todos os rounds, o artigo pode ser lido na íntegra na versão digital da New Yorker, que trouxe ainda conto inédito de Don DeLillo.
Etiquetas: Don DeLillo, James Wood, New Yorker, Paul Auster


